terça-feira, agosto 29, 2006

Cenário Carioca – Baile Funk

Favela no Rio, fábrica do funk carioca

O Baile Funk é uma manifestação cultural que se espalha a cada dia por todo o Rio de Janeiro. Engraçado é que, na maioria das outras cidades do Brasil, este ritmo não tem força, pelo menos nas cidades que tenho visitado. A única exceção é pra São Paulo, apesar das “músicas” chegarem com um pouco de atraso. Não por culpa deles, é claro, mas porque o funk, as letras do funk, em sua maioria, param de tocar tão rápido, que quando chegam lá, aqui no Rio já parou de tocar há um bastante tempo. Talvez isso seja em razão de suas letras e arranjos serem tão simples, que a cada dia surge um MC Qualquer com uma nova letra bizarra, que logo começa a fazer sucesso. E o pior, ou melhor, gruda nos ouvidos.

Inicialmente os bailes eram realizados somente em favelas, bairros da Zona Norte, Zona Oeste e Baixada Fluminense, freqüentados, em sua maioria, por pessoas das classes mais pobres do Rio e Grande Rio. Era o “som de preto, de favelado...”. Hoje, o funk carioca ganhou força também nas classes mais abastadas da nossa sociedade, sendo tocado pelos principais DJ’s no Rio, nas áreas mais nobres da cidade. A diferença? Veja um baile no Circo Voador, freqüentado pelos playboys e patricinhas, e outro, realizado no Duquecaxiense, na Baixada Fluminense e tire suas próprias conclusões.

A grande barreira do funk é o preconceito, pois as pessoas aceitam músicas de rappers americanos e, em sua maioria, não entendem a letra. Quando entendem, não se sentem agredidas pelo que se fala em inglês em músicas dos cultuados 50 Cents e Eminem, por exemplo. É o mesmo que ocorre com os filmes americanos em suas controvertidas dublagens politicamente corretas. O caso é que o funk, aos poucos, vem quebrando esta barreira, e isto é muito bom para a cultura da periferia brasileira.

Particularmente, eu não curto, mas digo não ao preconceito, até porque cada um escuta aquilo que gosta. A diversidade é importante. E dentro do próprio Sexteto existem pessoas que curtem um funk e, às vezes, nos obrigam a escutar também. O que não faz mal algum.

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